Cronistas

Ronnie Vitorino

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Um conto chileno-brasileño

18/12 de 2019 às 13:06

Com toda tecnologia que existe nos dias atuais, Juliano e Daiana acabaram se conhecendo da maneira mais tradicional possível: Num breve encontro de olhares.


 


Ele ruivo, alto, esbelto, barba cerrada. Daquelas pessoas, que chamam mais atenção pela sua áurea alegre, do que pelo seu tom alaranjado. Despojado, quarentão bem vivido e viajado, coloca no olhar toda sua ternura. E, com o sorriso largo, encanta. Mas, canta mal à beça. Deus do céu. Que desafino. E é insistente na cantoria desarranjada,  destoada e desritmada.


 


Ela pequenina, de andar agitado e olhar persistente. Insistente. Ansiosa de carteirinha é daquelas que, quando planeja uma festa surpresa, coloca até anúncio no jornal. E ainda se faz de desentendida. Finge demência. É de uma intensidade ímpar: O que se propõe a fazer, vai e realiza. Loira e trintona, gosta de dar lucro às academias e não treinar. Prefere as raquetadas ao léu.


 


E, daquela troca de olhar, daquele flerte maroto e despretensioso… Bom abrir um parênteses antes: Juliano é chileno, daqueles que falam rápido e pouco se entende do que diz. Daiana, santista e caiçara com orgulho, também não é das pessoas mais fáceis de se compreender. Há quem peça para ela falar em letras de forma.


 


Como dar certo algo entre duas pessoas que, sequer, não entendem a língua(!) um do outro? O silêncio de um olhar de soslaio diz muita coisa na maioria das vezes.


 


E, foi o gingado da Cueca do Juliano e no Samba da Daiana, que eles decidiram se enveredar num bailar estranho, mas com encaixe. Afinal, convenhamos, o jogo da sedução feminina não tem idioma, muito menos ritmo determinado. E fazem de um quarentão malandro, se tornar um garotinho suplicando aquele afago, que apenas uma praiana com cheiro da maresia sabe dar na medida de Iemanjá.


 


Mas, como nem tudo é a primavera do Relógio de Flores de Viña del Mar, o cidadão teria que se acostumar com o calor da Baía do Sancho e ela adquirir coordenação para uma caminhada gelada por Farellones, La Parva e El Colorado. Algo bastante complexo e díspare a ambos. Porém, quando se quer, sequer há algo no universo que faça não acontecer.


 


E se o universo não conspira a favor, o brasileiro (no caso a brasileira) dá um jeitinho de fazer acontecer.


 


E foi assim que ele, imaginando-se do alto do Elevador Lacerda transpirando em bicas, e ela sentindo-se entre os gigante da Isla de Pascua, decidiram encurtar a distância entre Santiago e Santos. Afinal, dicen que la distancia es el olvido, pero no aceptan esta razón.


 


E, com tantas provas, provaram que o Amor é extrair água do Agreste Nordestino ou encontrar abrigo confortável no alto do Desierto de Atacama, porque sempre há um lugar à duas almas, que se encontram ao acaso para viver algo inesperado.


 


Se dará certo ou não, ninguém sabe. E nem importa isso também. O importante é que sempre viverão na intensidade da cachaça e na fineza de um bom cabernet sauvignon.


 

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