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Terapia de Casal

12/03 d 2014 as 13:49

A cada dia que passa, eu acredito mais que a profissão do futuro será a de psicólogo. E tem muita gente nessa vida que não faz terapia. Seja por preconceito, ou por falta de conhecimento geral, a começar por negar a si próprio.


 


Um casal de amigos, tentando salvar o relacionamento, partiu para um conhecer mais o outro.


 


Já na primeira sessão, a coisa degringolou de vez. A terapeuta pediu para que ambos escrevessem num papel o que mais incomodava no outro. Não precisava ser uma tese de doutorado. Teria que ser algo simples, poucas linhas, só para terem algo para conversar no primeiro encontro.


 


Mas a cidadã, escrevendo mais que uma taquigrafa, não poupou o cidadão: Mandou duas folhas de almaço, frente e verso, só com críticas ao parceiro. E ele, em sua calma lacônica, escreveu míseras três linhas.


 


- Mas, o que é isso, Tereza? DUAS folhas de almaço? Nem em trabalhos da escola eu escrevia tanto assim.


 


- Pra você ver como as coisas não andam bem pro seu lado.


 


- Mas, você encasqueta com tudo também. Tudo é motivo para você achar que eu fiz algo de errado.


 


- É que você sempre faz algo de errado, Marcelo.


 


- Eu? Eu só fico na minha. Eu quase nem falo.


 


- Olhaí! Outro problema! Você nunca quer discutir nada.


 


- Vou discutir pra quê? Pra brigar? Pra mim está tudo bem.


 


- Se estivesse tudo bem, precisaríamos estar aqui?


 


- Ué, eu vim porque você quis que eu viesse.


 


- Tá vendo, doutora?


 


Sempre sobra para a terapeuta nessas horas.


 


- Olha, o que há aqui...


 


- Lá vem falar de Freud, Jung...


 


- Cala a boca, Marcelo. Deixe a doutora falar. Prossiga, doutora.


 


- O que falta aqui é mais conversa.


 


- Mais?! Ela fala sem parar, doutora. Eu só escuto.


 


- Escuta até demais, doutora. Ele é, praticamente, uma porta.


 


- Ah, mas olha só: Você quer discutir comigo na hora do jogo de futebol?


 


- E tem que marcar hora para conversar?


 


- Não precisa tanto, mas durante os noventa minutos do jogo de futebol, não é o melhor momento para conversar. Ainda mais quando o time está na zona de rebaixamento da Série C do campeonato brasileiro.


 


- Você me irrita, Marcelo.


 


- Ah, eu te amo, Tereza. Veja bem: Você aí só escreveu besteiras contra mim. Coisas sem importância.


 


- Sem importância? Para quem? Só se for para você!


 


- Vamos lá. Fale a primeira.


 


- Tudo bem. Primeiro: Não pega na minha mão quando saímos.


 


- Tá vendo? Não falo que você só reclama de besteiras? E isso é coisa para reclamar?


 


- Você acha pouco isso?


 


- Claro que acho. E tem que ficar de mão dada toda hora, em todo lugar? Doutora, tá certo isso?


 


- Bem, o horário acabou. Semana que vem conversamos mais sobre isso.


 


- Semana que vem?


 


- É, Marcelo. Semana que vem? Ou você não vem mais? Tem que vir os dois toda semana, não é doutora?


 


- É. O correto é que venham os dois, para que possam melhorar enquanto casal e juntos.


 


- Sabe o que é doutora...


 


- Marcelo! Não venha com desculpas. Olha bem o que combinamos antes de sair de casa.


 


- Mas... Semana que vem eu tenho Congresso a semana inteira.


 


- Podemos vir no sábado.


 


- Sábado é dia de futebol com os camaradas.


 


- Dane-se o futebol. Nós dois somos mais importantes. Doutora, você atende aos sábados também?


 


- Sim, só de manhã.


 


- Resolvido, Marcelo. Você vai para o seu Congresso e, no sábado, fazemos nossa terapia.


 


- Isso não parece uma terapia. Vocês duas vão me deixar louco.


 


- Senhor Marcelo, eu sou a solução para os problemas de vocês.


 


- Doutora, me desculpe. Mas, conversar com duas mulheres, no sábado pela manhã, onde uma reclama de mim e a outra me analisa dando razão para outra, pois vocês se protegem, não é terapia.


 


- E é o quê, então?!


 


- Tortura nazista.

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