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Susto

28/11 d 2012 as 04:06

A noite anterior havia começado de maneira inusitada no sertão tocantinense: Muita chuva. Uma chuva torrencial e sem fim. Em meses que venho pra cá, nunca havia presenciado algo assim. Como de costume e hábito, embora cansado por conta da viagem, acabei que dormi depois do programa do Galvão. Não que goste dos seus comentários, mas gosto dos convidados. E, nisso, a chuva caindo sem parar.


 


Às duas e pouco da madrugada, mando uma mensagem ao motorista:


 


- Meu velho, não seria melhor fazermos essas visitas depois de amanhã, quando a chuva parar?


 


- Ô parceiro, eu faço essa viagem há anos. Fique tranquilo.


 


Lá pelas cinco e meia o cidadão passa no hotel. Carro importado e o escambau. E assim fomos. Nenhum CD no carro, mas ouvíamos na rádio música sertaneja de duplas que nunca ouvi, sequer, o nome.


 


Seis horas da manhã e a chuva atacava o para-brisa, a estrada era bem sinuosa, os caminhões em alta velocidade no sentido contrário e pista simples, estilo vai-vem. E nisso, o sertanejo tocando.


 


Nesse momento conversávamos sobre as principais estradas paulistas, sobre pedágios, sobre o trânsito infernal que é ir para o litoral no Ano Novo. Essas coisas divertidas que todo paulista gosta.


 


Até que...


 


- Cara, você que viaja sempre nessa estrada, já viu animais cruzando a pista?


 


- Ô moço, as coisas aqui não são assim não. Tem cercamento...


 


- Sei lá... De repente uma manada de búfalos invade a estrada em protesto por quebra de patente do pasto.


 


- Não.


 


Seis e meia da matina. O carro derrapa. Sai de traseira. Vejo um morro de terra crescer. Há um estouro. É o carro subindo uma valeta e escalando o morro de terra. No que desce de lado, capota. E eu pensando: “Meu Deus: Não quero morrer agora. Faça esse carro parar”.


 


Nesse instante, que durou poucos segundos, você pensa em tudo: Na sua esposa, nos seus pais, nos seus amigos, na mensagem que mandou às duas e meia da manhã, na pessoa que está ao seu lado, no tutu de feijão da mãe, na paz mundial(!), nas ironias e sarcasmos que escreveu e disse a vida toda e, agradece a Deus e ao cinto de segurança!


 


O cinto de segurança é tão importante quanto o uso de protetor solar.


 


O carro para atravessado no acostamento. Pensei: “Se morri, nem doeu”. Nada de sentir dor. O sertanejo parou, mas a chuva não. Pensava em Riders on the storm.


 


A última vez que vi o céu enquanto dou um looping foi num brinquedo do finado Playcenter, no tal de Colossus.


 


Eu e o motorista saímos ilesos. Sem nenhum arranhão. Ao tirar o cinto de segurança, o motorista pergunta:


 


- Está tudo bem com você, Ronei?


 


- É Ronnie! RONNIE!


 


Eu estava nervoso, mas vivo.

Comentários:

    Luiz Fernando falou em: 24 DE DEZEMBRO DE 2012 as 15:58
Sem comentários....estava lendo e vendo você na minha frente...falando baixo, como você sempre fala....
Muito ...muito bom mesmo......parabéns....
    Vagnei Garcia falou em: 28 DE NOVEMBRO DE 2012 as 21:00
Gostei. Parabéns, não sabia dessa sua veia cronista, descobri por um acaso. Muito bom. Estou orgulhoso de você. Já estou divulgando. Um grande abraço.

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