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Os meus tons da cor

14/11 de 2012 às 17:13

Não por imposição. Nem mesmo por obseção. Muito menos por inspiração. Mais por curiosidade é que me entreguei a ler o tal dos Cinquenta tons de cinza. Quem me conhece e me lê sabe, de antemão, que não é das minhas literaturas prediletas. Mas, sempre é bom conhecer uma nova e velha literatura.


 


Noutro dia publiquei no facebook: “Cinquenta Tons de Cinza, o Viagra feminino”. E de fato o é! Não pelo erotismo, não pelo romantismo literário apurado da Ana, muito menos pelo que transparece ser o invejado Mr. Grey. Mas, e tão somente, pelo que representa uma mulher relatar, de fato, o que pensa, o que quer, o que admira, o que almeja num homem.


 


E são tantos homens boçais, tantas mentiras ditas a esmo, tanto machismo e pouco romantismo, tanto eu sou isso, que chega uma hora que cansa. E quando vem algo de uma mulher relatando o seu desejo, simplesmente, choca. E o choque é tanto quanto o título do Gabriel García Marques, quanto uma letra do Cazuza.


 


O homem comum não entende que a mulher tem desejos, tem vontades como as dos homens. E digo mais: São bem mais aflorados, mais orgânicos, mais estomacais.


 


Sabemos, também, que há o quesito pele, desejo, desconhecido, inesperado, enrustido e, o melhor, ser surpreendido. Mas, há um quê de romantismo antigo, de cultura, de troca, de cumplicidade e, claro, de canalhice.


 


Ah... A canalhice. Sempre presente no dia-a-dia dos verdadeiros amantes.


 


Ser canalha não é ser biltre ou parvo. Canalha, masculino ou feminino, é um kit: Boa conversa, olhar, cheiro, toque e, principalmente, falar e fazer aquilo que tem vontade. Afinal, vai que o outro, por pura coincidência do destino, também quer?


 


Grey e Ana: Combinação daquilo que muitos almejam e poucos têm coragem de dizer e fazer, porém têm o pensamento. E não que sejam, para toda sociedade o padrão de beleza e estética que preencham as CNTPs. Mas eles são, um para o outro, aquilo que almejaram durante uma vida.


 


Capitu e Bentinho, Desdemona e Otelo, Emma Bovary e Charles: Vida real de muitos que não querem sair do cotidiano perverso, do mundo real e da vida pacata que acomoda e enche consultórios psiquiátricos.


 


Cinquenta Tons de Cinza é o Atrás da Porta de Chico Buarque de Hollanda: O sussurro da vontade, o grito de prazer, a liberdade de dizer. Claro que, no primeiro caso, mais prazer. E no segundo, mais sofrer. Mas são almas femininas urrando por atenção: Ei, estou aqui!


 


Sensibilidade...


 


Para saber saciar o desejo da mulher é preciso ter a sensibilidade do dia da TPM, de deixá-la te xingar e bater. É preciso ter sensibilidade do dia em que quer ser amada como uma princesa: Um bom jantar, uma boa peça teatral e de fazer bem gostosinho um amor. E às vezes, ou em sua grande maioria pegar forte, pra valer e com gosto! Gostoso.


 


Esse tipo de mulher não é a moderna, daquela que se transformou ao longo do tempo. Essa é a mulher que te quer, que te deseja, que te admira, que te quer por um simples motivo: Ama o seu homem e quer tê-lo por completo, pois só a mulher se doa por inteira.

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