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Infinitivo e Particípio se viram em Brasília

02/08 d 2012 as 04:45

Depois que o José Roberto Arruda (aquele que fez uma lambança no Distrito Federal) demitiu o Gerúndio das repartições públicas do governo brasiliense em 2007 e, pra ajudar, com a nova reforma ortográfica, outras formas nominais começaram a se preocupar e a questionar o que poderia acontecer.


 


Confesso que há acento agudo preocupado e crase desesperada. O hífem, coitado, já é carta fora do baralho.


 


O Português passa, literalmente falando, por crises de existência.


 


E, numa dessas minhas idas e vindas pelo Brasil, deparei-me com o seguinte diálogo.


 


- Estava aqui a pensar, Particípio.


 


- Não me deixe preocupado, Infinitivo. Você tem pensado muito ultimamente.


 


- O que vou falar é sério, pô. Gosto de falar, pensar, sabe?


 


- Você tem falado e pensado mais depois do que aconteceu ao Gerúndio. Tem estado com medo?


 


- Medo? De vir a ficar sem emprego?


 


- Isso! Desempregado, Infinitivo!


 


- Não tenho que me desesperar, Particípio. Sou diferente do Gerúndio.


 


- Você é diferenciado?


 


- Não que eu esteja a discriminar o Gerúndio, longe de fazer isso. Mas você tem que concordar que ele tende a ficar na boca do povo mais que nós.


 


- Tenho reparado nisso mesmo.


 


- A gramática sempre está a precisar de nós. Os alunos também. Todos sempre estão a necessitar de nós. Ao menos, primeiro de mim.


 


- Você está muito convencido. E eu estou desesperado.


 


- Por que você está a desesperar? O que é que está a te afligir? Você tem que relaxar, Particípio.


 


- Não tenho como ficar relaxado. Olha só: Já me considero desempregado. Tenho pensado no que aconteceu com o Gerúndio e o mesmo tem acontecido com muitos de nós. E sabe porquê?


 


- Pensar assim não vai te fazer bem, Particípio.


 


- Cara, é sempre a mesma coisa: a corda tem estourado somente do lado mais fraco. Os aspones não têm trabalhado, mas têm encontrado uma forma de ser desculpados, e nós temos pagado o pato. Amigos que têm procurado a Justiça do Trabalho disseram ter recebido todos atrasados (exceto os trabalhos engavetados).


 


- Jura? Sou de ficar mais em Brasília, de ver as coisas mais de perto, de presenciar tudo, mas o que tiver que acontecer conosco vai ser diferente do Gerúndio. Pode acreditar em mim.


 


- Não tenho tido tanta certeza assim.


 


- Pode acreditar. Você não vai confiar em mim?


 


- Responda-me uma coisa: Essa moda tem pegado em Brasília? Eu estou convencido de que a Língua não é o maior problema do Brasil, mas sim a Educação, você não tem achado?


 


- Hum não sei. Mas, se você está a pensar assim, o negócio é agir. Vamos sair e protestar, xingar, reclamar, exigir nossos direitos. Vamos botar pra quebrar, Particípio, antes de nos demitir também.


 


- Caso eu seja demitido, pedirei uma mesada. Sempre tem um parlamentar amigo, Infinitivo.


 


- Vou entrar nessa também, Particípio. Vou oferecer meus serviços. Tem tido esquemas novos por lá?


 


- Ah... Isto tem que ser dito como você gosta: Nunca vai acabar!

Comentários:

    Guilherme falou em: 02 DE AGOSTO DE 2012 as 05:24
Show!

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