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Decepção Magoada

08/02 de 2012 às 21:45

Creio que não há nada mais frustrante ao ser humano do que decepcionar alguém que se, verdadeiramente, ama.


 


Claro que são dores diferentes a do autor e da vítima. O grande entrave é quando, nenhum pedido de desculpa faz esquecer, apagar, apaziguar, amenizar a magia, o ressentimento dolorido.


 


Indubitavelmente, você que está aí do outro lado da tela, já decepcionou alguém. E óbvio, também já foi decepcionado. Muitas das vezes, não decepcionamos (já coloco todo mundo na vala comum mesmo!) de caso pensado, por dolo. Agimos por pura imbecilidade mesmo. Colocamos o do outro na reta para afogar nossas mágoas, nossas frustrações, nossas decepções.


 


Via de regra, com raríssimas exceções, decepcionamos tão somente quem amamos. E não é por falta de opção não, é simplesmente porque é a pessoa, senão a única, que irá nos ouvir, que irá nos compreender e que, ainda, chateado, continuará ao nosso lado, pelo simples fato que também nos ama.


 


Só se consegue decepcionar quem, de fato, nos ama.


 


Mas, nem há compreensão da vítima. Eu mesmo perdi uma amizade de longa data por burrice, por puro egoísmo. Mais do que um companheiro de bar e de boemia, era um confidente de agruras políticas, de neuroses etílicas madrugada adentro sobre Fórmula 1 e poesia, de goladas sóbrias da existência ou não de Deus e, ainda, companheiros que sempre animaram qualquer lugar, até, sem brincadeira, Institutos Médicos Legais. Assumo, meu querido cururu: o erro foi meu, só meu. Perdoe-me quando puder.


 


Confesso que, decepcionar amigos não é lá das melhores experiências que já vivi. Não é daquelas de se orgulhar, mas é, com certeza, daquelas pra se refletir (imagino o quanto o PT reflete nesses dias). E haja reflexão, haja vontade de voltar no tempo e reparar o dano causado, haja tentativas e mais tentativas de desculpas.


 


O pior é que, quando decepcionamos, não temos a mínima idéia de como o outro irá se sentir. Achamos que ele tem, por obrigação, nos entender e pronto. Fica assim mesmo.


 


Mas a mágoa fica e dói. Não por muito tempo se as coisas forem bem esclarecidas e discutidas, mas ela fica (a dor que a população sente do PT tem que durar, no mínimo, um ano e meio). E como incomoda essa mágoa, como ela martela em nossa cabecinha, como ela é chata.


 


O grande problema é que nos apegamos a essa mágoa, fruto da decepção e, infelizmente, nos esquecemos de todo o resto, de toda uma história, de toda uma amizade, cumplicidade, parceria e, algumas vezes, esquecemos até do Amor. O ódio e a amargura conseguem, lamentavelmente, dominar um sentimento que, realmente, vale a pena ser sentido e vivido.


 


O Amor tem que sobressair à mágoa, à decepção e ao ressentimento, pois ele é puro, singelo, limpo, sem melindres e sem cobranças. O Amor é sublime, por isso que, quando amamos verdadeiramente, passamos por cima de qualquer coisa, nos humilhamos, mas só se a recíproca é verdadeira, pois aí sim, vale à pena. Pois sabe-se que a atitude que provocou a decepção não é usual, corriqueira. Só se nos basearmos no Amor, seremos capazes de esquecer das mágoas, pois ele é infinitamente maior do que qualquer outro sentimento quando sentido do fundo da alma.


 


Assim como amamos, também decepcionamos.Mas é certo que, sem sombra de dúvidas, partilhamos mais do primeiro ao segundo, afinal, temos um objetivo em comum: sermos felizes e, se possível, dividir a felicidade com todos que nos cercam, pois ninguém é feliz sozinho.


 


Por isso, meus queridos amiguinhos, sou obrigado a discordar do Vinícius de Moraes, quando ele diz que tristeza não tem fim. Há como dar um basta a tristeza, só é preciso querer, afinal, como o mesmo poetinha disse: "é melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz do coração", agora, você faz a sua opção, como tudo na vida.

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