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As minhas 40 semanas

10/08 d 2016 as 21:42

Tudo começou numa, nem tão distante, semana do mês de dezembro de 2015. Chegava de uma viagem de trabalho e estava indo me encontrar com a esposa, passar na padaria e seguir pra casa. Quando, assim que ela entra no carro, solta:


 


- Vontade alucinada de comer carne.


 


- Eu tenho essa vontade todos os dias.


 


- Tô falando sério. Vamos numa churrascaria?


 


- Churrascaria à noite? Você vai passar mal.


 


- Mas, eu quero comer carne até passar mal mesmo. Esses dias, que você esteve fora, eu comi um quilo de carne moída sozinha.


 


- Oi?


 


- É isso mesmo! Um quilo de carne moída...


 


- Eu não comi um quilo de carne moída na minha vida inteira!


 


- Estava tão bom...


 


- Você está estranha. Semana passada você comeu arroz com amendoim. Depois, pão na chapa com amendoim também. Vamos passar na farmácia.


 


- Farmácia?


 


- É. Compra um teste de gravidez...


 


E assim começou nossa jornada dos testes de gravidez. Um único teste já bastaria para saber se estava ou não gravida. Acredito que nem São Tomé faria uma via sacra para comprovar o que já estava óbvio. Porém, tive que parar em mais três farmácias e comprar dos mais variados tipos para ter um único resultado: Positivo.


 


Médico marcado e o primeiro mês já havia passado. Sem muita divulgação a amigos e parentes, seguimos a vida até os três meses, com pouco alarde e pouca paciência com esse que vos escreve. Alguns marinheiros de segunda ou terceira viagem me diziam:


 


- Cara, os três primeiros meses, elas viram um bicho, além de ficarem chatas e quererem nos matar.


 


- Meu querido... Você não está entendendo: Eu passo por isso já antes da gravidez. Então, pra mim, é vida normal que segue.


 


- Boa sorte...


 


E, como um toque de mágica divino, assim que se completaram três meses e um dia, acontece um milagre: O estresse desaparece, a falta de paciência dá lugar ao carinho e compreensão aos desajustes masculinos. Estava salvo. No quarto mês a barriga da minha mulher já estava do tamanho da minha, dando sinais claríssimos que eu precisava voltar urgente à academia. E assim o fizemos.


 


Os marinheiros de segunda e terceira viagem me alertavam:


 


- Cara... curta esse segundo trimestre da gravidez, pois elas ficam mais calmas mesmo. Depois, você verá o inferno que será sua vida, pois quanto mais a barriga cresce, mais chatas ficam.


 


- É por isso que você é chato assim?


 


- Ahn? Sou magro, ow! Inclusive, aproveite para dormir agora, porque quando nascer, você nunca mais vai dormir direito. Aproveite para ver todas as temporadas de Game Of Thrones agora.


 


Por um momento eu achei que não teria um filho, mas sim um terrorista na minha casa, que não me deixaria ter mais vida. E outra: Deixar de ver Game Of Thrones?! Aí já é demais mesmo.


 


Os meses mais tranquilos foram do segundo trimestre. Uma lua-de-mel, paz, paciência, compreensão e fim da sexta temporada de Game Of Thrones. E mais um exame morfológico. É um barato ouvir o coração, ver as mãos pequeninas, os pés e o rosto. Opa. Não, o bebê não quis mostrar a cara, deu uma de envergonhado e se virou de lado, como quem quisesse tirar mais um cochilo. Algo como “não me incomodem, pois está dá hora aqui”.


 


Os meses foram se passando, amigos sendo solidários nos dando fraldas, carinhos, mimos e muitos, muitos, muitos conselhos. Quando estávamos com 30 semanas de gestação, já ouvíamos: “Sua barriga está baixa demais”; “já abasteceu o carro?”; “Arrumaram a mala pra levar à maternidade?”; “Não se esqueça do charuto e do whisk”.


 


Esse negócio de ‘barriga baixa’ é algo que, mesmo já estando na porta da maternidade, não consigo entender. Eu olho a minha barriga e penso: Faz duas semanas que não vou à academia.


 


Quando olho para minha barriga, vejo que sou um cara feliz, pois a da esposa cresce a passos largos. E isso porque não teve aqueles desejos no meio da madrugada de comer amendoim com jaca ou, sei lá, amendoim com picanha. Um único desejo foi comer uma simples e inofensiva amora. E eu, inocente, achando que essas coisas de desejos só aconteciam nas novelas das seis da tarde.


 


Taca eu pro CEAGESP em busca da famigerada amora. Corro o lugar todo e acho fruta do conde, toranja, morango silvestre, banana da Chita e mais uma porção de frutas que nem sabia da existência. MENOS a bendita amora. No auge do desespero, ligo para a pessoa mais experiente que conheço na vida, meu pai.


 


- Pai. Tudo bem?


 


- Oi, filho. Vai vir ver o jogo aqui em casa? Como está o meu netinho?


 


- Pai... Preciso de uma luz. Onde eu acho amora? Já percorri o Ceasa inteiro e disseram que não é época.


 


- Aí só tem analfabeto. Vem aqui em casa que, na rua, tem um pé de amora.


 


Meu filho não terá cara de amora graças ao meu pai.


 


Chega-se, então, na trigésima sétima semana. Se a barriga está alta ou baixa eu não sei. O que vejo é que está grande e que a mulher tem dores até nas pálpebras. Os pés inchados demais, as mãos também. Porém, as mulheres tem a impressionante capacidade de se transformarem: Ficam lindas mesmo se achando feias e descabeladas.


 


Nas duas últimas semanas, a ansiedade não toma conta só dos futuros pais. É algo que nem de longe eu imaginei passar. As pessoas perguntam a todo instante se o bebê já chegou, quando chegará, se já estourou a bolsa, se já sente contrações, se o dólar subiu ou desceu. Nessa última semana chego em casa depois do trabalho e a esposa está na mesa da cozinha com as lágrimas escorrendo pelo rosto.


 


- O que aconteceu? Por que está chorando?


 


- Eu não aguento mais...


 


- Quer que eu faça um pão na chapa com amendoin?


 


- Não...


 


- Uma amora flambada com sorvete de creme?


 


- Não...


 


- O que eu fiz então?


 


- Você? Nada... Eu tô aqui prestando contas das cento e oitenta mensagens que recebi só hoje perguntando: “E aí, já nasceu?”.


 


Eu até comecei a escrever um diário de bordo da minha visão na gestação colocando a participação dos avós, irmãos, primos e amigos. Porém, com trabalho e os cuidados com a casa e com a esposa, infelizmente não consegui. Entretanto amanhã, dia 11 de agosto de 2016, chegará o tão aguardado e já amado Felipe.

Comentários:

    Karina falou em: 11 DE AGOSTO DE 2016 as 07:53
Mesmo sem está grávida, fiquei com vontade de experimentar a tal amora flambado com sorvete de creme!!!
    Vera Romeu falou em: 10 DE AGOSTO DE 2016 as 22:29
Eu simplesmente adorei passar tudo isso com vocês a medida que eu lendo este texto.
Foi demais....lindo.



Espero que o Felipe venha cheio de saúde e amor para dar, pois estou prevendo que ele, já é e será muito amado.

Felicidades para os pais deste felizardo garoto.

Beijos
    Kamilla Prima falou em: 10 DE AGOSTO DE 2016 as 19:34
Primo! Que texto lindo, parabéns!!!!

Sei bem o que eh esse lance de ter que responder que ainda não nasceu, afinal eu e João fomos até 41 semanas e 3 dias!!!

Mas gravidez eh assim mesmo! Feita de 8 é um século!

Que amanhã seja um dia perfeito e especial! #vemfelipe
    Priscilla Leal falou em: 10 DE AGOSTO DE 2016 as 18:41
Lindos, será muito abençoado, chegará com muita saúde...
Parabéns a nova vida de um anjo, metade das duas almas que se amam, não tem algo mais importante na nossa vida, somente nossos filhos.
Vocês são tão queridos que todos se preocupam e estão ansiosos, isso se chama AMOR....
Amanhã será um grande dia para todos nós...
    Giulyana Cardoso falou em: 10 DE AGOSTO DE 2016 as 18:38
Simplesmente SENSACIONAL!!!!!
Adorei a crônica e parabéns pelos cuidados e dedicação que teve nestas 40 semanas e que venha o tão amado Felipe...
Ps: não esquece de avisar que nasceu....rsrsrs

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