Cronistas

Ronnie Vitorino

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Amigo-secreto em... Coisas de babaca

09/02 de 2012 às 20:22

O fim do ano chega e junto com ele vem a famigerada trocas de presentes. Aquela coisa de dar e receber. Muitas vezes, dá-se muito e recebe-se algo que não queria. E, da festa, vem logo a frustração.


 


Quando a troca de presentes é entre a parentada, aí a coisa pode até piorar, haja vista aquela prima insuportável que você detesta ter te tirado. E só de pirraça, ela te dá uma agenda da firma em que trabalha enquanto você gastou rios de dinheiro no presente para aquele tio legal que todo mundo gosta e venera de paixão.


 


Mas isso não é atitude de babaca. É sacanagem mesmo. E das grandes. Picaretagem das bravas.


 


Pois bem...


 


Como é de conhecimento público e notório, em todo e qualquer meio sempre há, por mínimo que seja, um babaca. E eles sempre têm a péssima mania de aparecer, de querer dominar e ditar o ritmo das brincadeiras.


 


Babaca que é babaca tem prerrogativas intrínsecas. É um chato costumas. O cara sempre acha, em todas as entregas alheias, que ele é o sorteado. O almejado. O sortudo. E não se toca que gera uma balbúrdia imensa, pois não pára de falar. De gritar. De se aparecer.


 


Quando vê que o sexo não é o dele, o cidadão (sim, pois isso é privilégio masculino), faz um downloading do céu, baixa Nostradhamus e ele, numa visão profética, adivinha quem é que a outra pessoa tirou.


 


- É a Maria. Não! É a Joana. Ah, é claro que é a Vanessa!


 


O cara, simplesmente, não pára! E como de costume, a pessoa sorteada é a Joaquina.


 


Ele dança, rebola, grita, bebe e torra a paciência de qualquer cristão.


 


O tal do moço, babaca-secreto, de secreto não tem nada. Aparício das horas certas e incertas.


 


Na empresa em que você trabalha, muito provavelmente, tem uma pessoa com essas peculiaridades.


 


O pior de tudo é quando o babaca não participa do amigo-secreto, mas participa da festa. Aí a coisa degringola de vez e não há Cristo que o faça calar a boca. E, quando acaba a troca de presentes, ele é o primeiro a grudar no pescoço do chefe para pedir aumento salarial ou a falar o que a empresa deveria fazer e não faz.


 


Babaca que é babaca sempre tem aquela piadinha para tudo, não ouve ninguém e ainda acha que tem razão em tudo.


 


Na semana passada teve amigo-secreto de onde eu trabalho. Fomos para um barzinho. Eu, com pouco tempo de ‘casa’, fiquei na minha. Queria ver quem era o babaca da vez ou de todas as vezes.


 


Mal a brincadeira começa e o Aparício aparece. Habituado com isso, resolvi relevar. Mas, por incrível que pareça, vieram em bando, numa revoada impressionante. Como se fosse uma praga, a babaquice se alastrou por osmose.


 


Por sorte fui o primeiro sorteado. Peguei meu presente, entreguei o outro quando, enfim, deixaram-me falar e, mais do que depressa fui embora antes que fosse mais um infectado.


 


Chato sim. Mas virar um babaca chato, pra mim já é demais.

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