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"A minha mãe gosta"

09/02 d 2012 as 20:14

Há uns anos conheci um carioca pra lá de maneiro. Confesso que, devido a ter trabalhado numa central de atendimento do extinto BCN, onde atendia gente do país inteiro, nunca fui muito fã dos clientes cariocas. E em decorrência também da rixa entre paulistas e cariocas, a coisa aflorou-se ainda mais em mim.


 


Mas, pelo fato do dito cidadão namorar com uma amigona minha, resolvi baixar guarda.


 


As palavras pacato e calmo não estão em seu vocabulário. Moço pra lá de agitado. Pessoa de um vocabulário de palavrões dantesco. Vai gostar de falar palavrões assim lá no Rio de Janeiro.


 


Chopp vai, conversa vem, o fato é que o cidadão carioca tornou-se um irmão. Confidente fiel. Amigo para qualquer hora. E, impossível não estar perto do famigerado e não soltar alguma palavra em 'carioquês'. É que eu pego sotaque fácil.


 


Mas o cara, dia desses, pegou no meu tendão de Aquiles: levou-me ao supermercado para fazer uma dita compra.


 


Gente, supermercado é a coisa mais irritante. É um programa de índio. É a coisa mais chata de se fazer.


 


- Pô cara, tu tem que gostar dessas paradas aí: isso é ajudar em casa.


 


- Meu, nem vem que não tem: isso não é um pé no saco, é um chute do Branco mesmo!


 


- Deixa eu pegar esses biscoitos aqui que a minha mãe gosta.


 


- É bolacha, carioca. BO-LA-CHA.


 


E, o passei que seria para tomar uma cervejinha de uns minutinhos, tornou-se, praticamente, uma compra de mês.


 


E eu lá, com a minha impaciência peculiar, com meu estresse à flor da pele.


 


- Nossa, muleque, minha mãe vai pirar nessa compra aqui, camarada. A minha mãe gosta.


 


- Tá bom, Mazzei. Mas há como irmos logo? Fora que ainda tem a fila do caixa. Não há coisa mais chata que fila de caixa dos supermercados. E as pessoas da fila? Outras chatas. Fora que as caixas sempre são, em sua maioria, chatas também. Já percebeu o humor delas?


 


- Ô irmão, pára de reclamar. Curti aí. Você é assim porque aqui em São Paulo não tem praia.


 


- Meu, eu sei que você é assíduo freqüentador do Piscinão de Ramos...


 


- Vou pegar esse queijinho aqui também que é bom e a minha mãe gosta.


 


- Carioca, acho que a tua mãe gosta do supermercado inteiro, cara. Tudo o que você vê quer pegar, meu. Pega aquela samambaia ali também, meu.


 


- Vou te falar uma parada aí: tu é um chato 'mermo', hein?


 


Já haviam se passado mais de quarenta minutos e eu lá, como besta, andando de um lado para o outro empurrando o carrinho de compras. O detalhe é que tudo, mas tudo MESMO que o cidadão comprava era light. Desde o pão até o chá. Passando pelo queijo, claro. A coisa mais 'podreira' que o cara comprou foram umas cervejinhas que, não sei, mas acho que a mãe dele gosta também, sei lá.


 


Nunca vi a dona Ângela, flamenguista fanática, mas já sei de todos os seus gostos gastronômicos.


 


E, por conhecer, apenas os gostos, posso dar uma sugestão, dona Ângela? Que tal trocar o peito de peru, light, por um presunto BEM gordo? O chá mate, também light, por uma Coca-cola (mas não Zero)? Até a manteiga é light, dona Ângela. Eu nunca comi nada lighte tô aí, na 'pista', como vocês gostam de dizer. Sei que sou cheio de dar pitacos, mas é que, quando compareço ao apartamento do teu filho, eu posso comer trinta sanduíches, mas emagreço uns três quilos.


 


Uma hora e meia no supermercado e, finalmente, chegamos na fila para passar as contas.


 


- Não tem um banquinho para sentar não, carioca?


 


- Mas como tu é podre, hein? Tem que ralar o peito, irmão!


 


- Que ralar peito o quê, meu?


 


- Vai empacotando as coisas aí, vai!


 


- Carica... Vamos comprar uns torresminhos pra comer tomando cerveja?


 


- Camarada, torresminhos?


 


- É uma carninha de porco e tal. Fazemos umas frituras lá no seu apê.


 


- Fritura? Torresminho?


 


- É! Isso mesmo!


 


- É light?


 


- Não, né?


 


- Irmão. Vou te explicar: torresminho, gorduroso e fritura, são combinações que, decididamente, minha mãe não gosta.

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