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Recomeço

Voltar para crônica

Recomeçar. À primeira vista, todo recomeço é visto com bons olhos. O recomeço traz uma certa dose de renovação, de deixar pra trás o que não deu certo e começar de novo, partir do zero, se reinventar.


 


Reinventar é palavra da moda, acho. Tem uma porção de gente por aí reinventando bares, restaurantes, velhas festas ou peças de arte. Reinventar é palavra que faz par com desconstruir. É praxe nas no vocabulário dos descolados - Desconstruir para reinventar. Que bobagem.


 


Hoje recomecei a escrever crônicas depois de vários anos sem escrever nada. Bem, sem escrever nada é modo de falar. Escrevi alguns e-mails, escrevi o que o meu trabalho me mandou escrever, escrevi alguns post-its para anotar recados. Mas crônicas mesmo, necas.


 


Aí o tempo passou, o mundo girou e cá estou eu novamente encarando a tela em branco. Enferrujadíssimo, diga-se! Se crônica fosse bicicleta eu iria precisar usar rodinhas. E olha que já tenho mais de trezentas crônicas na cacunda.


 


Não tive grandes recomeços na vida. Normalmente o que começo termino. Ou não termino nunca, o que é mais fácil. E o que não termino, não costumo recomeçar. Que interminado fique. Não vejo muito problema nisso.


 


Mas já recomecei algumas amizades, alguns relacionamentos, algumas teses, alguns discursos. Murro em ponta de faca em grande parte, mas que atire a primeira faca quem nunca deu um murrinho na ponta de uma pedra. Ou vice-versa.


 


E depois desses vários anos eu senti falta de escrever crônicas. Percebi que é coisa que gosto de fazer, independente se existe um Você aí lendo ou se o Você sou somente eu. Exercício bobo de semiótica nessa frase, mas é bem por aí mesmo. Uma terapiazinha leve, uma forma de fazer alguma coisa diferente, uma frase ou outra que eu jogo aqui e que às vezes põe um sorrisinho no canto da sua boca. Mesmo que a sua boca seja a minha.


 


Mas chega de figuras de linguagem por ora. Foi só pra dar uma desenferrujada.


 


Volta o cronista. Eu, cronista de novo. Um recronista? Na próxima vez que alguém me perguntar se sou um cronista vou responder:


 


- Já fui, agora sou um recronista.


 


Há-há. Minhas piadas continuam péssimas.


 


De qualquer maneira a página está quase acabando e até que não foi um esforço tão imenso chegar até aqui. Há um bom tempo eu não sentia essa sensaçãozinha boa de ver o finalzinho da página ali, pertinho. Escrever um livro deve dar uma ansiedade e uma agonia grande, já que depois do finalzinho da página você tem que preencher outra e outra. Mas deve ser bem legal chegar no finalzinho da última.


 


Quem sabe um dia me meto a besta? Por enquanto, vou só recronicando.

    Autor: Rick Lucas