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Copa do Mundo, Brasil e Xenofobia

12/03 d 2014 as 17:10

A primeira copa que eu me lembro de ter “visto” foi a de 94, e aconteceu de sermos campeões. Antes disso futebol era algo subjetivo, eu torcia para o Corinthians porque meu pai torcia mas se me perguntassem: ganhou? Eu diria não sei.

Aos treze anos, a fase de transição em que você parece um ET e não existem muitas coisas para se fazer pois é grande para brincar e criança para balada, participar das reuniões para assistir aos jogos parecia o máximo. E foi assim que descobri que havia um campeonato chamado Copa do Mundo.

Apesar do desapontamento causado pelas convulsões do Ronaldinho, eu curti demais a Copa de 98. Nesta fase já não era tão ET e tinha uma “tchurma” de amigos da escola, e nos reuníamos e até lembro que rolou uma corrente de pensamentos positivos que nos deu um pênalti.

Mas é isso sabe? Passou a fase, e me diverti bastante com ela mesmo sendo só pela televisão, qual o problema? Não preciso deste circo montado em cima das celebridades futebolísticas do mundo para que venham fazer dribles por aqui, não preciso de um estádio no Amazonas, nem de mais hotéis nas capitais, tampouco necessito das vagas temporárias para jovens bilíngues, ou ainda das vagas voluntariadas para participar da dança de abertura.

Sabe do que eu preciso?

De menos oba oba adolescente e de mais vamos que vamos Brasil. Eu preciso de um país que tenha a nação como prioridade e então você pode me dizer: mas brasileiro ama futebol! Concordo, mas um bom governo não dá ao povo o que ele quer e sim o que ele precisa.

Do que precisamos?
De segurança pública efetiva
De um sistema carcerário decente
De hospitais sem filas e sem mortes pelos corredores
De escolas que façam mais que alfabetizar mas que eduquem o cidadão e o faça pensar
De dignidade para os velhos que vivem da previdência
De governantes honestos.

Depois que você me der tudo isso Brasil, depois que eu puder tirar minha filha da escola particular que graças ao suor do meu rosto eu consigo me espremer e pagar, e colocá-la em uma escola do estado e ter a mesma qualidade, segurança e estrutura; depois que eu puder levar uma pessoa doente para o pronto socorro e saber que a palavra PRONTO será entendida; depois que os mensaleiros virarem de fato presidiários. Depois disso você pode querer me mimar com futebol, não antes.

Sabe o que mais? Que tipo de governantes autorizam construir um estádio na mesma região da Transamazônica? Sabe aquela estrada com muitos trechos sem pavimentação? Pois é, para que melhorar rodovias federais e estaduais quando podemos assistir jogos em estádios novos em folha.

Muitos conhecidos fartos da safadeza, da burocracia burra, dos impostos astronômicos, dos despautérios na educação, segurança, saúde falam: queria ir embora daqui, lixo de país. Perdoem-me mas discordo, e digo mais: lixo de pessoas que o fazem ser um país.

Pessoas que reclamam, mas que furam filas, utilizam a vaga do deficiente, pessoas que criticam o bolsa-família mas não querem registar a empregada doméstica porque acham que ela não merece férias, FTGS, seguro-desemprego.

Pessoas que irão ser “reis do camarote” da Copa, plantando matérias fúteis na Caras, no Ego.

E tem mais um agravante, teremos que nos preocupar com elas: as pessoas que farão questão de provar que as reportagens xenofóbicas que estão saindo a respeito de nós brasileiros: eu, você, sua mãe, são verdadeiras. Que somos ladrões, desonestos, terroristas.

Eu amo meu país, não posso me esquecer que esta terra acolheu meus antepassados, me deu frutos e não, eu não quero ir embora. Quero ficar e ver mudanças, quero ver Brasília envergonhada, deposta e reformada.

Quero ver meus conterrâneos tratarem com respeito, honra e honestidade todos os estrangeiros que estiverem aqui, para que eles vejam que NÓS NÃO SOMOS O PROBLEMA. Mas os engravatados caroneiros da FAB sim, o são. Deixem que os caras de fora andem de táxi, de avião, de metrô, que carreguem seus smart phones livremente e que usem seus bonés oficiais, porque eles não tem culpa.

Deixe-os vivos e satisfeitos, empáticos, para que eles gritem conosco: se o penhor desta igualdade, conseguimos conquistar com braço forte.

Como Martin Luther King, I have a dream: queria ver todos os brasileiros longe dos estádios, queria que no dia dos jogos fossem levar seu brado retumbante para a frente das escolas depredadas, dos hospitais sucateados, dos terminais urbanos, das secretarias, prefeituras, palácios e lá cantassem a toda voz o hino nacional para que todos os gringos ouvissem dos estádios vazios: verás que um filho teu não foge a luta!


 


Dayane Nascimento, 32 anos, Analista de Marketing - Londrina/PR

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