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 Cronistas

Cada palavra, cada sentença é cuidada com intenção e reflexão. Aqui há desabafos e aqui me permito recriar o universo da minha vida sem tantos filtros.

Creio demais na força de uma vírgula e na necessidade do ponto final.

Fiquem à vontade para ver ou que vejo ou vi, mais à vontade ainda para julgar o que tenho coragem de expôr.

Bora ler?


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Dois Mal-Comidos (e bem-passados)

18/02 d 2012 as 04:41

Eu me controlo, juro. Faço um verdadeiro esforço em, mesmo sem perceber, não prestar atenção na conversa alheia.


 


Mas existem certas conversas... Na verdade, não é questão de ser ou não interessante, sabem? Ouço um tiquinho e logo desencano e presto atenção no que estou fazendo ou conversando.


 


Mas essa de hoje... Fui encerrar o dia com minha namorada em uma lanchonete, comer algo, trocar carinhos e papear sobre o dia. Quando chegamos reparei em um senhor de blusão, sentado só na mesa ao lado da nossa.


 


Cinco minutos depois chega um amigo daquele senhor distinto e sério, outro senhor bastante distinto mas mais à vontade na vestimenta. Vestia uma calça de abrigo e blusa de lã.


 


Me considero bastante atento ao que se passa ao meu redor, sabem? Coisa rápida de, num soslaio, num canto de olho dar uma checada geral.


 


Falávamos eu e minha companheira sobre amenidades de casal, lembro que ríamos sobre a teimosia dela em tomar algo pra gripe que a entupia, enquanto isso ouvia palavras soltas ao meu lado. Coisas esparsas sobre mulheres, sobre não querer mais nem namorar. E também de passagem achei que havia entendido o escopo da conversa alheia.


 


Me enganei.


 


Já formava o contexto todo em minha cabeça e automaticamente me encorajava a não querer prestar atenção na conversa, entendia que eram dois senhores de mais de cinquenta, separados e desiludidos com longos relacionamentos. E até acertei. Mas errei na intensidade e qualidade do pensamento da dupla. Diria que errei feio.


 


- Tô te dizendo, Arthur! Foi legal ontem com a loira, mas acho que nem quero repeteco.


 


- Meu querido, você tá certíssimo. Eu por exemplo, prefiro ligar só pra não ter de atender chamada a cobrar. Fico puto quando elas me ligam a cobrar! Mando mensagem, torpedo, manja? Ligo de vez em quando pra dar uma assistência e não perder a boquinha.


 


- Mas não é isso que eu tô dizendo... Tô dizendo que elas tem de entender que nós estamos fazendo um favor! Favor!


 


Essa me pegou! Qualquer chance de tentar resistir à tentação de não ouvir mais a conversa dos cidadãos foi pro vinagre. Ouvir os dois senhores realmente acreditando que, prestavam um enorme favor às coitadas com quem se relacionavam, apenas e simplesmente por conceder a elas o privilégio de lhes fazer companhia, definitivamente me laçou pra querer saber até onde iria aquela prosa.


 


Seguindo assim:


 


- Tô pensando em sair com aquela minha aluna que te falei... Tô meio assim, achando que ela vai ficar de grude depois. Meninota assim você sabe, apaixona logo e aí eu me ferro pra botar pra correr.


 


- Pô, mas a danada é gostosinha... Ela te ligou?


 


- Ligou mas eu não atendi, quis dar um dificultada.


 


- Fez certinho! Quando ela ligou?


 


- Um pouco antes de você chegar.


 


- Hum... E se eu fizer assim, eu ligo pra ela do seu celular e digo que você está no banho, se é algo urgente coisa e tal. Só pra tentar saber qual é a dela, sabe?


 


- Boa! Liga lá, liga lá.


 


Eu juro pra vocês que eram dois senhores de mais de cinquenta anos, que isso me aconteceu há poucas horas, e que eles nem estavam bebendo nem nada.


 


O Eloy então ligou.


 


- Alô? Oi, desculpa incomodar. Eu sou amigo do Arthur e vi que o celular dele tocou, foi você quem ligou, né? Então, ele tá no banho agora... É... Ahãm... É muito urgente? Quer que eu dê algum recado pra ele?


 


- E aí? O que você sentiu?


 


- Meu, desencana. Ela disse que era urgente mas não senti firmeza na voz dela, sabe? Achei meio tranqueira.


 


- Pô... Mas é tão gostosinha...


 


- Desencana! Me diz uma coisa, como é que eu faço pra excluir uma chata do meu msn?


 


- Faz assim, você vai lá, dá um click no botão direito...


 


Chega! Olhei pra cara da minha namorada achando que ela também tinha ouvido a conversa, ela toda entupida só queria ir pra casa.


 


Olhei mais uma vez e de repente uma enorme ficha me caiu! Entendi claramente a verdadeira função da mulher, do casamento, do laço afetivo efetivo!


 


Olhei então pela terceira vez e me enchi de ternura por aquela mulher com o nariz vermelho enfiado em um lenço de papel... Ela era a minha salvação da idiotia!


 


Todos os meus sonhos em ser boêmio, nunca me prender a ninguém por mais de seis meses, experimentar amores e mais amores, morar sozinho pra sempre... Foram simplesmente assassinados por aqueles dois espécimes que, caminhando para os sessenta, ainda consideravam ser um favor ceder suas respectivas e significativas companhias ao sexo oposto.


 


Então aquele ser entupido me olha, de olhos pela metade, fungando o nariz assado, a cara desarrumada, me diz coisas anasaladas do tipo:


 


- Reparou nesses velhos mal-comidos?

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