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 Cronistas

Cada palavra, cada sentença é cuidada com intenção e reflexão. Aqui há desabafos e aqui me permito recriar o universo da minha vida sem tantos filtros.

Creio demais na força de uma vírgula e na necessidade do ponto final.

Fiquem à vontade para ver ou que vejo ou vi, mais à vontade ainda para julgar o que tenho coragem de expôr.

Bora ler?


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Destorcedor

18/02 d 2012 as 04:42

Do tipo roxo pra valer, mas não aprovou o novo uniforme que trazia nova cor (a roxa) quebrando o tradicional preto e branco. Era conservador o torcedor.


 


Se dizia tão torcedor que desiludiu o pai e irmão torcedores do preto, branco e vermelho. Tinha orgulho de ser assim, ter nascido preto e branco sem ter aprendido com ninguém a sentir no coração o seu time campeão.


 


Não era de briga, não ia pra estádio pra criar confusão, na verdade não ia nunca ao estádio. Mas por uma boa razão...


 


Antes da razão, primeiro uma constatação sobre o torcedor. Não era torcedor de dia de jogo, era defensor de bons argumentos, era amante de tudo o que seu time representava, chorava ao lembrar da longa história, criticava feroz os cartolas que, na sua visão de torcedor, impediram uma realidade mais ética e bem-estruturada do futebol brasileiro. E dizia isso chorando.


 


Desenvolveu teses consideradas por muitos, amalucadas, sobre a representação, os símbolos não declarados de tudo o que representava seu timão.


 


Dizia e escrevia longamente coisas sobre o preto e o branco serem a unificação de cores perfeitas, o equilíbrio ideal, o ponto e contraponto, o yin yang. Que preto e branco representavam o ideal democrático onde os povos conviviam de forma harmoniosa e vencedora... Coisas assim.


 


Toda essa visão lúdica e apaixonada pelo seu time, renderam ao torcedor certo espaço na mídia, uma coluna de esporte (que durou muito pouco pela total falta de imparcialidade ao falar de outros times), destaque dentro da sala de troféus do próprio clube, passe livre nos vestiários. Regalias de torcedor de conteúdo.


 


Mas era incompleto. Torcia muito e como torcia, fazia promessas pro Santo protetor do time, sustentava bandeira, tatuagem e todas (todas!) as suas camisas e camisetas tinham bordado ou pintado o brasão ancorado.


 


Mas ainda assim era incompleto.


 


É que tinha uma razão pra ser assim, incompleto. Aquele lance de nunca ir ao estádio que comentei, pois é, isso o matava. Mas sabem o que o matava mais do que isso?


 


Não poder assistir aos jogos ao vivo. Não falo de assistir pessoalmente, e sim de não poder assistir ao jogos mesmo pela televisão se fosse ao vivo.


 


Loucura, né?


 


Torcedor tão dedicado, certa vez, logo no início de sua carreira de torcida, percebeu que toda vez que assistia aos jogos de seu time, ele perdia. Quando por alguma razão, e elas foram raras antes da triste constatação, ele não pôde assistir a algum dos jogos do seu time, aí então ele ganhava.


 


Ele demorou três longos anos pra admitir que aquilo pudesse ter a ver com a sua torcida em especial, testou todas as teorias e todos os jeitos pra ver se tinha a ver com algum ritual, alguma praga ou trabalho feito pra ele. Nada.


 


Mesmo quando assistia ao jogo através de alguma vitrine, quando via escondido de algo ou alguém, ainda sim o time perdia.


 


O cúmulo foram os testes incansáveis onde ele pôde constatar em desespero que, quando sentado em frente à TV o time jogava mal, levava gol. Bastava então ele sair e o time melhorava, por vezes fazia gol.


 


As terapeutas, pais e mães de santo não foram capazes de compreender sua maldição.


 


Resignado, aceitou aquilo como um castigo, uma provação. Um teste divino pra avaliar sua determinação e sua perseverança. Jamais deixaria de torcer para o seu Timão (ê ô!), mas jamais seria responsável pela continuidade de anos e anos sem títulos.


 


Foi então que o sol voltou a brilhar, o torcedor virou destorcedor. Não por deixar de torcer, mas por torcer em voz alta todos os demais dias do ano, menos nos dias de jogo.


 


E com exceção de um pequeno deslize, após muitos anos seguindo de forma severa as regras que sua maldição lhe impunha, e que custou ao seu time um rebaixamento vergonhoso. O torcedor se manteve fiel e temeroso (agora em dobro), não se permitindo mais nenhuma bisbilhotada na TV em dias de jogo.


 


Até que, recentemente o timão teve chance de ser campeão...


 


Fez uma campanha digna de toda a tradição e história que sempre teve, podia perder por um gol de diferença e ainda sim seria campeão!


 


O torcedor fez o de costume em dias de jogo, se trancou no armário do quarto com fones de ouvido e ali passou quase duas horas sem nada ouvir, nada ver e nada torcer. Duas horas de ansiedade por gritar a vitória mais que certa, garantida!


 


Ao sair do armário e ver que o mundo continuava o castigando por ser torcedor, que o timão perdia independente dele torcer ou não, aí então desencanou.


 


De destorcedor passou a torcedor sofredor.

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