Quarta-feira, 06 de Julho de 2005
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Salvação ou Evolução? Eis a questão


Não sei quanto a vocês, mas nunca quis ser santo. Daqueles de serem beatificados pelo Papa e tal. Aqueles que, de século em século, fazem algo de útil pela humanidade sem exigir nada em troca, apenas se doam, apenas se dedicam a causas nobres da população, do mundo. Nunca tive pretensão de ser o "salvador da pátria" ou do planeta. Sou, ainda, um daqueles que ainda crêem num futuro mais digno, mas que não se acomodam, como muitos outros, com a desgraça alheia, que protelam a culpa a um ente superior, eximindo-se, assim, de qualquer culpa.

Fora que não consigo imaginar uma porção de "Ronnies" nas igrejas. Santo Cristo! Será que seria eu o santo dos bebedores de chopp escuro? Ou, ainda, dos carecas barrigudinhos? Dos neuróticos alucinados que chocalham as pernas, balançam a cabeça e babam no teclado do computador quando escrevem? Dos alunos que colocam bombinhas de dez debaixo da cadeira do professor? Não, com certeza não seria beatificado por nenhum papa, por mais que fizessem abaixo-assinados solicitando.

Também, imaginem como iria sofrer no "outro" mundo com inúmeros pedidos e promessas. E se eu não realizasse o que a pessoa me pedisse? Imagine só eu com mais débitos para com meus devotos. Não, vida de santo, decididamente, deve ser cansativa pacas. Pôxa, o cara já deu um duro danado aqui e ainda leva serviço pra "casa"? Não dá, né?

Muitos procuram a salvação. Aí, ignorante que sou, me pergunto: querem se salvar do que? E outra, pra que se salvar? Pra que? Pra que? Pra que, meu Deus?! Que salvem o Brasil, então! Bem... esse não tem salvação mesmo, ou seria jeito?

Mas, retomando o fio da meada, queremos o céu, mas não temos a terra. Queremos ser santos a qualquer preço, nos "prostituímos" em promessas, nos penalizamos a troco de nada, por balelas materialistas para, no final das contas, cairmos na vala comum, no senso comum.

Lamentavelmente não procuramos evoluir. E, essa evolução não diz respeito só a parte espiritual, mas, em primeira instância, à parte intelectual mesmo. Fazemos questão de batermos no peito e dizer, em larga escala, que somos ignorantes, que exportamos nossa ignorância ao resto do mundo.

Se querem se salvar de algo, que se salvem evoluindo. Que se salvem por si só!

A salvação que muitos almejam, não está dentro de capelas, não está nos livros, está dentro de cada um de acordo com o que busca pra sua vida, independente da crença, da religião ou da filosofia de vida.

Para se salvar de algo, é preciso saber do perigo que corre, dos inimigos que tem, dos entraves e, principalmente, do que quer ser salvo.

Eu não quero ser salvo de nada. Gosto da vida, das pessoas, dos amigos, dos problemas que tenho, da minha família, dos meus leitores, enfim, gosto de tudo, não quero que ninguém me salve disso. Não preciso que ninguém me salve.

Sou muito, mas muito mais a evolução a salvação.

Não procuro a salvação. Não quero ser santo. Não serei santo. Nunca fui santo, nem do pau oco. Desde pequeno faço besteiras. Claro que, nenhuma delas, que prejudique alguém em grande escala, ou que, algum dia, eu tenha infringido alguma lei moral.

Mas o fato é que, convenhamos, de papa e de santo, não temos nenhum pouco.

 
Ronnie Vitorino escreve às Quartas-feiras neste espaço
ronnie.vitorino@cronistas.com.br
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